Por Andreas Rauh
Tem gente que passa por ali todo dia e nem se dá conta. Outros acendem um velinha, ou fazem o sinal da cruz, mas mesmo alguns céticos às vezes sentem um arrepio e aceleram o passo. A encruzilhada é um lugar de mudança e rumos para pessoas, coisas e idéias. É também um mito recorrente no mundo da música, o lugar onde o pessoal vai para encontrar o Cramunhão e assinar aquele contrato. Parece que a maioria que fez isso era do Blues e Rock, porque, aparentemente, e talvez de maneira frustrante, até agora ninguém que assinou escolheu um sintetizador para tocar. Talvez isso não seja à toa.
A música eletrônica é um tipo de som que parece estar embebido forte do espírito da encruzilhada. Não pelo lado sobrenatural da Companhia Tinhoso S.A. e suas letras miúdas. Essa é a menor parte. É mais interessante olhar para o eletrônico como um ponto de encontro constante de influências musicais do mundo inteiro, misturando muitos gêneros, artistas, compositores, estilos, instrumentos e tudo mais que é usado para fazer música. Funciona como se fosse uma grande encruzilhada sonora e se transforma em um catalisador musical importante.
Nessa rica suruba de influências musicais existe uma mistura constante de tudo que já foi gravado, num processo de reciclagem permanente que beira um ataque criativo de Alzheimer. Tudo pode, e é recriado em novo formato, nenhum estilo é poupado e isso muitas vezes incomoda os puristas arrogantes que não conhecem história; mas faz a festa de quem gosta de ver a coisa pegar fogo e está sempre ligado nas coisas.
Já misturaram praticamente tudo com o eletrônico à essa altura. Já foi putz-putz com Jazz, Samba, Rock, Gótico, Sertanejo, Lambada e por aí afora. Tem também as misturas incestuosas de vertentes do eletrônico com ele mesmo: Techno com o House vira Tech-House; Trance com psicodelia, Psy-Trance; BreakBeat; Disco-House; e infinitas outras variações e uma sequência interminável de sub-gêneros dos sub-gêneros de vertentes específicas.
É quase como se o eletrônico funcionasse além da encruzilhada. É também um grande liquidificador, um catalisador, raio-gama ou a radiação que o parta. Tanto faz a metáfora, o que interessa é que provoca mutação. O eletrônico recebe, entende, transforma e devolve. Essa farofa sonora agrada a uns e incomoda outros. Ela promove imersão, fusão e criação de estilos em detrimento de uma suposta purificação sonora. Como se fosse ser possível ter-se uma eugenia musical que levasse a um ou outro estilo ‘puro’. Porque de pureza já basta o Céu, e se todo mundo que toca lá não assinou nada imagina o que que rola.
















Comments
O futuro está na encruzilhada!!! Sempre esteve!
Realmente, parece que todo mundo que fez algo novo e interessante passou por um período de encruzilhada e não teve medo do caminho diferente. Eu acho particularmente interessante ver que existe toda uma nova idéia de como fazer música afetando todos os estilos de uma vez só.
O futuro, o passado, o mesmo e o outro… O OUTRO! rs Tudo na encruzilhada, a gente se vê por ali.
Até hoje gosto demais de musica eletronica! Acho que é a unica ue me acalma de verdade. mistura infinita de sentimentos a cada batida!!!
Pois é, eletrônico faz isso depois que a mosca putz-putz morde. Hahaha.
É, e com cada vez menos possibilidades de explorar instrumentos analógicos, se é que já não se esgotaram, aparentemente o futuro é na mistura, retorcendo e contorcendo timbres, samplers e conceitos musicais. Pq o digital não tem limites.
É isso ou aceitar que seu som é mais do mesmo e que vc vai fazê-lo apenas para sua própria diversão.
Em tempo, Andreas, me ensina a tocar sintetizador? Mas sem assinar contrato com letras miudas que eu tenho MUITO medo do que vc faria com a minha alma. hahahaha
Rapaz, se a gente fosse ler cada letra miúda de contrato ia ver que a nossa alma já foi repartida entre bancos, empresas de telefonia, internet, aluguéis, leasings e o escambau. Tenho certeza que perto dessa gente eu sou um anjo. Hahaha. Mas é verdade que o eletrônico possibilita muita coisa e nenhum gênero musical vai passar ileso. A coisa é forte e tá só no começo, porque se parece impressionante agora imagina daqui a uns 20, 30, 50 anos?
Sério, nem imagino daqui 10 anos. E olha que trabalho com tecnologia. rs
Pois é cara, vai ficar bem cabuloso. :D
Show querido!
Danke!