Reconciliação e Poder: Black Sabbath no Lollapalooza Chicago

Published on agosto 4th, 2012

Foto: Ronny Santos

Por Adriano Pereira

Há 15 anos, Ozzy Osbourne foi barrado pela produção do Lollapalooza. A confusão fez com que Sharon Osbourne criasse o OzzFest, um festival que sempre teve a figura como headliner. A história de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, e da própria lenda viva que coloca voz nessa trama, passou por um capítulo de reconciliação ontem à noite no Lollapalooza Chicago com uma demonstração de poder.

O Black Sabbath abriu o show com a música que leva o nome da banda. Antes disso, um vídeo mostrando as fases mais antigas do grupo até a apresentação em Birmingham neste ano – primeira com 3/4 da formação original desde 1977 – foi exibido nos telões enquanto Ozzy, atrás das cortinas, soltava uma risadinha demoníaca de deboche (confira no vídeo rápido por motivos óbvios, também com risadinha semi-demoníaca).

O Sabbath voltar a tocar no Lolla não foi a única reconciliação da noite. Ozzy deixou a banda em 1977 expulso por Tony Iommi em razão do abuso de drogas e álcool. Isso deixou Ozzy profundamente magoado e irritado. Uma volta com os dois no palco era algo impensável até surgirem os primeiros boatos no final de 2011. Houve ainda o linfoma enfrentado pela guitarrista, que quase impediu essa volta do grupo. E depois de tantas reconciliações da noite, veio o poder.

O que nasceu da ideia de se fazer “música que dá medo” foi um gênero musical que influenciou dezenas de milhares de bandas que vieram depois. Esse poder tem a síntese perfeita no palco quando três peças fundamentais se juntam: Ozzy, Iommi e Gezzer Butler. Uma pena Bill Ward não ter aceitado os termos de contrato da volta, deve estar arrependido (eu estaria). Mas voltando ao assunto, como um quarteto com apenas três instrumentos conseguem preencher tão bem um palco enorme? Como riffs simples e com poucos efeitos conseguem ser tão cativantes?

Isso é o rock. O poder do rock. Não há outra explicação melhor do que assistir ao Black Sabbath ao vivo e entender que quando o Universo resolve conspirar para que os talentos de pessoas desconhecidas se reúnam, não existem barrerias que possam impedir isso.

“The Wizard”, “Behind The Wall of Sleep”, seguida de um solo de contrabaixo para emendar com “N.I.B.”. Ozzy pedia no palco:”Jump!”. Era como se fosse uma massa de servos obedecendo a ordem. Todo mundo pulando. Vem “Into The Void” na qual Ozzy abraça Iommi, segue com “Snowblind” e explode em “War Pigs”. “Eletric Funeral” vem antes de “Sweet Leaf” para rolar na sequência um solo de bateria de Tommy Clufetos. Daí vem as primeiras notas de “Iron Man” e na hora da famosa frase do início da canção Ozzy aponta para Iommi e diz: “He is the Iron Man!”.

“Fairies Wear Boots”, “Dirty Women” e “Children of the Grave” vêm antes da pausa. A banda volta e fecha a apresentação fazendo “Paranoid” com uma introdução de “Sabbath Bloody Sabbath”. O grupo se despede e escreve mais uma página desse livro. O público americano está muito acostumado a grandes shows e não se empolga como nós brasileiros. Torço muito para que o Sabbath desça o mapa, tenho certeza que no Brasil esse show seria de fazer a banda chorar.

Comments

  1. Posted by Maria Do Bairro on agosto 4th, 2012, 14:17 [Reply]

    se não fizer a banda chorar, vai pelo menos fazer um bando chorar e eu me incluo nessa :D:D:D #blacksabbathbrasil

  2. Posted by Marco de Castro on agosto 4th, 2012, 21:55 [Reply]

    eu quase chorei só lendo esse texto. Imagina se visse o show

  3. Posted by Lisa on agosto 6th, 2012, 15:00 [Reply]

    Nossa, um festival que abre com Black Sabbath!!!!! Só pode ser ótimo!!!!

  4. Posted by Henrique Scalet on agosto 6th, 2012, 15:01 [Reply]

    E pensar que tem moleque guitarrista de 20 e poucos anos que nem sequer conhece Black Sabbath direito. :(

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